"Words without thoughts never to heaven go" - William Shakespeare, 'Hamlet'

Sexta-feira, Janeiro 30, 2004


Desculpem a linguagem, mas agora fudeu tudo.

Vou ter de levar a clarineta no relojoeiro. Não me perguntem por quê.


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Já tem um século que acabei de ler aquele livro do Tolstói do qual já falei aqui, "O reino de Deus está em vós", e não comentei minhas conclusões ainda. Quem ainda quiser lê-lo, não se preocupe: não vou estragar a surpresa de ninguém (ainda mais pq o prefácio dele já faz isso :-)).

É o radicalismo do preceito cristão da não resistência do mal com violência levado ao extremo. Tolstói diz que a raiz do cristianismo (segundo ele, perdida há muito em quaser todas as igrejas e comunidades cristãs, a exceção dos mórmons e outras esquisitices) é resistir ao mal com o bem, desde a mais simples relação com o próximo. O mal apenas causa mais mal, e o bem multiplica-se, impedindo o aparecimento do mal. Tolstói tenta mostrar a prática disso na vida social do seu tempo -- que pode ser passada, sem muitas alteraçãos, para o nosso -- negando qualquer forma de violência, especialmente as do Estado e da Igreja. Vivendo numa época militarista, ele rejeita insistentemente o serviço militar obrigatório, pagamento de impostos que financiam guerras (ou seja, todos eles), funcionalismo público, enfim, o próprio Estado. Acerca da igreja (ortodoxa, principalmente, mas também a católica e as protestantes), acusa-a de mentirosa, total deturpadora dos princípios cristãos, por defender "guerras santas", "violências santas" e outros tipos de discórdia em nome da religião. Chega a opor totalmente o Credo dos Apóstolos ao princípio de não-resistência ao mal com violência, afirmando que ambos não podem ser praticados ao mesmo tempo. Enfim, a igreja, para ele, também não deve existir.

Comentário: é muito fácil defender tudo isso quando já se viveu 92 anos, censurado algumas vezes pelo czar e, depois do livro, excomungado pela igreja ortodoxa. Tolstói já era famoso, relativamente rico para a Rússia da época, e podia se dar ao luxo de abrir refeitórios populares e viver alguns anos no meio dos pobres para de lá sair quando quiser. Apesar disso, Tolstói não foi hipócrita, nem petulante, muito menos anarquista ou comunista (apesar de ser acusado de tudo isso, não gostava dos revolucionários por eles pregarem a violência e se proporem a intensificá-la). Foi alguém que viveu muito, vivenciou a fama e a crise espiritual, e teve a oportunidade de escrever a conclusão a que chegou.

Os princípios franciscanos são condizentes quase que por completo com o radicalismo do princípio da não-resistência ao mal com violência. "Quase por completo", porque há outros pontos do Evangelho além desse que parecem esquecidos por Tolstói e que pessoalmente eu consideraria juntamente com o principal. Se eu, ao fim da minha vida, chegar a uma conclusão parecida com a de Tolstói (não duvido que isso aconteça), bem, que Deus tenha piedade da minha alma.


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Quinta-feira, Janeiro 29, 2004


Resolvi, finalmente, consertar minha clarineta. A danada quebrou uma pecinha de dois milímetros de comprimento há um ano e meio atrás, e não tive como consertar. Era mandar pra São Paulo, ou encomendar uma peça da França. Desde então, toco uma Yamaha de plástico emprestada, e a minha Buffet Crampom R-13 Green Line ficou encostada, mofando e oxidando, literalmente.


Ontem desmontei-a inteirinha. A mesa ficou parecendo cena de autópsia, cheia de peças e parafusos espalhados. Descobri que tenho um pouco mais de coordenação motora do que imaginava, e que o Silvo, aquele produto pra limpar peças de prata, deixa a gente meio doidão depois de uns 40 minutos. A pecinha quebrada eu fiz com cera de vela, aparei com um canivete, lixei, e mergulhei numa espécie de cola chamada "dope" (nome bem sugestivo), feita com celulose de bananeira (!) e é usada para fazer entelagem (cobertura) de asa de aeromodelo. Tem um cheiro característico de banana com cola de sapateiro e thinner, e transforma-se numa cobertura de aparência plástica quando seca. Assim, a minha pecinha de cera não ia se desmanchar na primeira pressão. Taquei super bonder na parada e agora ela tá lá, secando. O pior de tudo é que não sei se vai funcionar. Tentei algo parecido anteontem, e a pecinha quebrou.

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A Arquidiocese de Brasília tem novo "chefe" agora: o Arcebispo Dom João Braz. O cabra veio de Maringá, PR, ficando agora no lugar do Dom José Freire Falcão. Este já completou 75 anos há três anos e finalmente recebeu do Vaticano o nome do sucessor, indo agora para o "asilo" (coitado, nem é asilo, mas a minha mãe definiu assim) da Cúria Metropolitana na Asa Sul para um leve trabalho pastoral. Pelas regras da Santa Sé, um arcebispo deve entregar sua "carta de demissão" ao completar 75 anos de idade, e três prováveis sucessores são analizados sigilosamente pela Cúria Romana. O "favorito" dos especuladores era Dom Raymundo Damasceno, que foi para Aparecida do Norte. Quem diria, chefiar a arquidiocese da "cidade santa" do Brasil. Agora, católicos, lembrem-se: se, na oração eucarística, o padre pedir pra completar a frase "o nosso bispo... ?!", respondam "João" e não "José" :-)

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Os comentários dos amigos e colegas estão voltando, isso me deixa mais feliz. Sempre que posso respondo-os, seja por e-mail, nos comentários do blog respectivo ou no meu próprio. Obrigado! :-))


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Terça-feira, Janeiro 27, 2004


Reli meus textos que estão no blog e encontrei uma pancada de erros. O mais triste foi encontrar erros bestas em textos antigos os quais já reli trocentas vezes. É a maior frustração do escritor, mesmo do "pseudo": nunca descansar com o texto escrito, sempre querendo alterá-lo. Já ouvi muitas entrevistas com escritores famosos que dizem antecipar o envio de seus textos para a editora ou periódico e livrarem-se do fardo. Comparam o processo criativo com um parto de fórceps, seguido de depressão pós-parto, e abandonam o texto à mercê dos editores, senão eles próprios mudariam tudo, desde o primeiro parágrafo.

Eu quero um dia publicar alguma coisa para que, mais tarde, não pudesse alterá-la.

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Domingo fiz um vôo Brasília - São Paulo (Congonhas) em tempo real em homenagem ao aniversário de 450 anos da cidade. Usei um Embraer 170, uma beleza de aeronave que já corta os céus de vários países (mas ainda não a vi no Brasil), e só levei 1h45 pra terminar o vôo, ao invés de 1h25, porque a mula do controle de tráfego aéreo automático do FS me fez ir até Santos e voltar pra pousar na pista 35L de Congonhas, queimando 500 galões a mais (uns 2.100 litros) de combustível. Pior é que ainda tinha um vento cruzado pela direita que empurrou o avião para a esquerda (claro!), fazendo-me tocar na pista com o trem esquerdo primeiro e dar uma "derrapadinha" pra acertar a aeronave e não sair da pista. Mesmo com tudo isso, adorei o vôo e o pouso (dadas as condições), e experimentei o EMB-170 que voa que é uma maravilha. Err, no simulador, pelo menos :-)

Vou preparar algumas fotos do vôo para colocar aqui :-)


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Quinta-feira, Janeiro 22, 2004


Bom, continuando com a empolgação nórdica, fui buscar uma Linha Aérea Virutal (VA) daquelas terras para brincar enquanto duram minhas férias da faculdade. Encontrei muita coisa tosca, quase tudo em sueco -- descobri que VA nesse idioma é Virtuella Flygvapnet. Deus me livre de um dia ter de voar em espaço aéreo controlado, mesmo que simulado, em sueco. Das que eu encontrei que podia comunicar-me em inglês, a mais interessante foi a Scandinavian Virtual Airline, que usa a mesma frota com a mesma pintura da sua companheira real, a SAS. Essa VA é imensa, deve ter mais de 500 pilotos ativos e tem seu próprio software de planejamento de vôo, flight recorder (a nossa "caixa preta") e de envio de flight log. Acho que vou continuar na Ceaero, que nem pintura ainda tem (não sei por quê). Aquilo é muito pras minhas férias.

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Estou oficialmente na Bushpilots World Association, da qual já falei aqui, mas só depois que entrei é que descobri que precisa ter o FS2004. Duh!

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Continuando as bizarrices que encontro na Internet. Hoje foi a vez de um pai desnaturado inventar o site de busca pornô sátira do maior portal do gênero atualmente, o Google. O site em questão, o Booble, tem o mesmo layout do portal de onde veio a "inspiração", com exceção de que os dois "O's" do logo formam um par de seios. O criador quer manter o anonimato porque não quer ser barrado nos jogos de softball da filha. Pode?!


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Segunda-feira, Janeiro 19, 2004


Uma estréia na coluna à sua esquerda: é o contículo Cafuné, que comecei a escrever há algumas semanas e acabei de acabar. Deve estar cheio de erros de português, da grafia à sintaxe. Sou meio avesso a revisar o que escrevo senão nunca termino de escrever, então dou logo um chute no texto, para longe, e paro de me preocupar com ele. E é assim mesmo: levo quase um mês para terminar um conto de pouco mais de uma página. Taí, para quem quiser ler.

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Hoje fiz minha primeira aula de sueco!

Jag talar på svensk! (como se fosse assim, fácil)

Ainda vou ficar fluente nessa budega... :-)

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Lembro que todos podem ler todos os textos que estão neste blog, sem problema nenhum. Agora, se eu vir alguém plagiando alguma coisa aí, eu capo.


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Sexta-feira, Janeiro 16, 2004


Tive um dia entupido no estágio, uma longa sesta depois que cheguei em casa (dormi até as quatro e vinte) e uma dor de cabeça. Agora, depois de passar duas horas no computador tentando organizar meus e-mails e meu blog, é tomar banho e sair com a patroa. Portanto, apenas coloco as novidades no blog.

Finalmente os textos! Eles estão aí, no menu à direita, para seu deleite. Por enquanto coloquei três, o mais recente deles escrito no fim de 2002, portanto de uma fase (se é que se pode chamar assim) que não sei se consigo repetir. Aproveitem!


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Quarta-feira, Janeiro 14, 2004


Cada coisa que me aparece.

Há um bom passatempo na internet para quem gosta de filmes e sexo. O site www.namethatporno.com apresenta uma interface que permite dar nomes versão pornô para filmes conhecidos. Todos sabemos da hilariante criatividade dos títulos do gênero, então o que há de errado em brincar um pouco com isso? O site é em inglês, e os melhores nomes são escolhidos e publicados pela sátira feita com rimas e trocadilhos infames. O site ainda tem um mirror com layout disfarçado de site de notícias (como CNN ou Reuters), inclusive com algumas notícias "reais" espalhadas pela tela, para aqueles mais envergonhados que insistem em brincar com besteira na internet no computador do trabalho.

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Quem disse que só os hobbits sabem se divertir com dança e música? Quatro elementos com orelhas pontudas e nada de mais interessante pra fazer formaram -- há vários anos, vale dizer, -- uma banda de elfos, e estão aproveitando o marketing do Senhor dos Anéis para ficarem famosos. Têm um site tosco na internet, com trechos de algumas músicas. Pelo menos o som é melhor que o figurino.

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Encontrei na web a gravação da caixa-preta do TAM 402 que caiu em São Paulo em 1996, poucos minutos depois de decolar de Congonhas, após apresentar um problema com o reverso do motor direito. A gravação é impressionante, e dá para perceber os detalhes do procedimento do comandante e do co-piloto, depois de distinguir o ruído.

Resumidamente, os tripulantes pensaram que o problema era no auto-throttle -- um dispositivo que "empurra" as manetes de potência para frente até o ideal para a decolagem --, tentam desativá-lo e empurrarem as manetes manualmente. Só que o reverso (que empurra o ar da turbina para frente para freiar o avião no pouso) não funciona na potência alta da decolagem, e puxa automaticamente a manete de volta para a potência baixa. O reverso defeituoso abriu e fechou várias vezes. Resultado: perda da potência, perda da sustentação e o comandante com os controles no batente no final.

Neste link tem a gravação com o relato CVR da caixa preta. Vale a pena escutar.


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Terça-feira, Janeiro 13, 2004


Meu blog tem cada vez menos visitantes (João está tentando se aventurar em terras portenhas, e Marcel diz que visita mas nem passa perto), e meus posts estão ficando irregulares gradativamente, mas ainda não desanimei: farei as modificações previstas. Coloquei o link da Avsim, outro portal de recursos em simulação aérea. Já tenho uma faixa verde à direita, só falta preparar os textos para pôr os links. E, claro, tomar coragem de publicar algumas coisas, digamos, vergonhosas :-)

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Você sabe o que é um Bush Pilot? Não, não é o piloto a bordo de um B-2 que bombardeou Bagdá há quase um ano. No sentido literal, "piloto de arbusto", é o maluco que voa baixo no meio do mato, quase arrancando esses vegetais pela raiz. Não é civilizado, portanto desconhece os moderníssimos equipamentos de navegação aérea, como o rádio, e pilota IFR -- não como em "Instrument Flight Rules", mas como em "I Follow Roads" -- traçando os planos de vôo com um Guia 4 Rodas que roubou do porta-luvas do carro. É o oposto do piloto de linha aérea, que segue planos e procedimentos como se sua aeronave voasse sobre trilhos. Desde que os cenários do Flight Simulator da Microsoft deixaram de ser poliedros em quatro cores diferentes e tornaram-se texturas fotorrealísticas arranjadas sobre algoritmos fractais, é possível ser um bushpilot virtual. A BWA -- Bushpilot World Association -- organiza vôos multiplayer na internet para os interessados e corajosos. Quanto custa? Nada, exceto um computador potente (no mínimo 8 MB de memória de vídeo), conexão em banda larga e o Flight Simulator 2004.

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Ainda não assisti "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei", então não me perguntem o que achei do filme. Assisti ontem, pela trilhonésima vez, "As Duas Torres" e, por mais que tenha perdido uma ou duas horas de sono para vir cedo para o estágio, sempre vale a pena até certa medida (mais exatamente quando aquele gordo nerd do Peter Jackson resolve matar Haldir, um elfo que tem idade do que o Peter pode expressar em seu peso). Arrancadas de cabelo à parte, é sempre bom relembrar as histórias do velho Tolkien depois de lidas.


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Quinta-feira, Janeiro 08, 2004


O matemático russo Ivan Panin, após ler a primeira passagem de um dos livros da Bíblia, descobriu em 1890 uma estrutura matemática sob o Novo Testamento original em grego. A partir daí, ele desenvolveu um método algébrico para definir se um texto é bom ou mal, conhecido como Gematria.

Hoje temos disponível na Internet um script de Gematria para calcular o caráter bom ou mal do texto, quer dizer, se tem dedo de Deus no meio ou não. Pode-se ir ao site e calcular a maledicência escondida atrás dos hiper-textos. É bom lembrar que o Gematriculator é parte de um site chamado de Seita Homokaasu, bastante suspeita.

Particularmente, a Gematria não passa de uma besteira, uma numerologia barata que usa a cabala no alfabeto latino. O idioma altera muito o cálculo. Qualquer texto em qualquer língua latina terá maior parte boa do que sua tradução em uma língua saxã ou semítica, porque as línguas latinas têm mais vogais, que valem mais. De qualquer modo, descobrir que o meu blog é apenas 39% mal foi reconfortante :-) ...

Resolvi escrever Iesu Homini Salvatorum (Jesus Salvador dos homens) e deu 22% mal (o que não acontece com a frase em português, que deu 1% mal). Agora, quando escrevi Iesu Christe Dominum (Jesus Cristo é o Senhor), deu 99% mal. Por quê? Bem, o resultado do cálculo foi 1332, que é duas vezes 666. Hehehe...


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Quarta-feira, Janeiro 07, 2004


Como puderam notar, não falei nada do aspecto religioso do Natal ou das festividades de fim/começo de ano. Isso porque muito disso é falado nessa época, inclusive muita besteira e rasgação de seda sem sentido e involuntária, e não quis encher meu blog com mais essa (já basta aquela do Santos Dumont X Wright).

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Resolvi trabalhar minha exígua mas ambiciosa qualidade literária em contos pequenos e sem importância. Como raramente tenho paciência de terminar alguma coisa, vou fazer textos tão pequenos que eu não tenha outra saída senão terminá-los. Já comecei dois deles. Quem sabe sai alguma coisa.

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Divinópolis, cidade razoavelmente grande para a região (cerca de 200 mil habitantes) sempre guarda pequenas surpresas. A primeira que eu notei não foi exatamente uma surpresa, mas um dado estatístico já esperado: as peruas à solta nas ruas da metrópole local mineira crescem anualmente em progressão geométrica. As que encontro agora são as filhas de uma geração de peruas que tiveram seu auge nos anos oitenta e deixam agora o legado patty para suas sucessoras. Lá, fazendo jus ao interior de Minas, tem (muito) mais mulher bonita na rua do que Brasília -- que só deve perder para o inferno -- mas a concentração de pattys é impressionante, dá inveja a qualquer Lago Sul.

Mas a surpresa que eu queria falar mesmo foi o resultado da garimpagem que eu e meu primo fizemos em busca de CDs de rock dos anos 70 e 80. Na mesma loja encontramos um álbum do David Bowie do fim dos 70, de que desgraçadamente não me lembro o nome, por 20 reais, e um DVD de... adivinha quem? The Who, dado de presente de mim para mim mesmo por 15 reais! Minha teoria é que o gosto musical daquele povo interiorano é bastante conservador, considerando toda música com guitarras, no mínimo, algo que não veio de Deus. Melhor pra gente.


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Voltei.


Natal em Divinópolis, ano-novo em Ouro Preto, Minas Gerais. Bom, a passagem de ano foi, mais exatamente, em Glaura, uma micro-cidade a 25 km de Ouro Preto, numa belíssima casa de uma amiga da minha prima. Nela descobri o que acontece quando se coloca 13 pessoas, a maioria mineira, isoladas no fim do mundo com sete engradados de cerveja. Sei que, no fim, quase faltou cerveja.

Não pretendo escrever muito agora porque são meio-dia e dez e fui dormir às três e meia da manhã. Só vou adiantar algumas mudanças no blog (algo como new year´s resolutions):

- tentarei ser mais objetivo nos posts e com temas mais bem-definidos: música, aviação, religião e cotidiano. O motivo é simples: nem eu tava tendo saco de escrever aqui, quem dirá de quem lê os posts;

- renovarei os links à sua esquerda;

- colocarei alguns textos de minha autoria à disposição. Finalmente tomarei coragem e vou disponibilizá-los ao público em geral, mesmo que esse público seja composto por três pessoas. Os privilégios de primeiros leitores dos meus textos, já definidos há algum tempo, continuarão inabalados.

Por enquanto é só. Agora vou cochilar que a minha cabeça tá pesada.


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